história
Areias
A ocupação humana da região de Areias remonta a períodos muito antigos, como comprovam os vestígios encontrados na Gruta de Avecasta, datados do Paleolítico. Mais tarde, os romanos também deixaram a sua marca, explorando ouro no leito do rio Zêzere, sinal da importância estratégica e económica deste território.
Antes mesmo da fundação do Reino de Portugal, Areias integrava os domínios do antigo Castelo de Ceras. Após a independência, em fevereiro de 1159, o rei D. Afonso Henriques doou esta região à Ordem dos Templários, como parte do esforço de organização e defesa do território recém-conquistado. Com a extinção da Ordem do Templo no reinado de D. Dinis, e pela bula do Papa João XXII, datada de 15 de março de 1319, foi criada a Ordem de Cristo, que herdou os bens e propriedades dos templários na região de Tomar. Em 1321, os vastos domínios da Ordem de Cristo foram divididos em comendas. A povoação de Areias passou então a integrar a comenda de Pias. De acordo com uma ordenança de 19 de agosto de 1326, emitida por D. João Lourenço, mestre da Ordem de Cristo, o comendador deste território era um cavaleiro da Ordem e detinha o direito a todo o rendimento do lugar das Pias. Mais tarde, no final do século XV, a comenda da Sabacheira foi desanexada deste território. Em 1554, os moradores do termo das Pias dirigiram um pedido à Ordem para que fosse construída uma igreja nos Chãos — local que corresponde atualmente à freguesia de Areias. Alegavam grandes dificuldades no acesso aos sacramentos, sobretudo no inverno, quando as más condições dos caminhos e das ribeiras dificultavam o transporte de doentes e crianças. A reconstrução da igreja concretizou-se e, com ela, nasceu a paróquia de Santa Maria das Arenas, tornando-se independente em termos religiosos. Esta nova paróquia deu mais tarde origem a quatro freguesias distintas. Administrativamente, Areias pertenceu ao termo da vila das Pias até 1836, ano em que foi integrada no concelho de Ferreira do Zêzere, mantendo até hoje a sua identidade histórica e cultural.
Pias
A freguesia de Pias tem origens antigas, inseridas numa região com vestígios de ocupação humana desde a Pré-História. A sua localização, marcada por terrenos férteis e linhas de água, favoreceu desde cedo o estabelecimento de comunidades ligadas à agricultura e à pastorícia.
Durante a Idade Média, Pias integrou os domínios do Castelo de Ceras, uma antiga fortificação que controlava esta vasta área do território, ainda antes da fundação de Portugal. Com a independência do reino, em 1143, e após a doação destas terras à Ordem dos Templários por D. Afonso Henriques em 1159, Pias passou a fazer parte do esforço de organização e defesa do novo território cristão. A extinção da Ordem do Templo, decretada no início do século XIV, não travou a influência da instituição na região. Em 1319, pela bula do Papa João XXII, foi criada a Ordem de Cristo, à qual foram atribuídos os bens e direitos dos antigos templários. Foi esta ordem militar e religiosa que administrou Pias ao longo de séculos, organizando o território em comendas. A vila de Pias destacou-se como sede de uma dessas comendas, o que demonstra a sua importância estratégica e económica na época. O desenvolvimento de Pias ao longo da Idade Moderna ficou ligado à sua função administrativa, à produção agrícola e ao papel da Igreja. A população era maioritariamente rural, e as estruturas religiosas garantiam o apoio espiritual e social das comunidades locais. Ao longo dos séculos, a vila foi-se consolidando como um centro de referência para as povoações vizinhas. Em 1836, na sequência da reorganização administrativa liberal, Pias deixou de ser sede de concelho, passando a integrar o concelho de Ferreira do Zêzere. Apesar dessa mudança, manteve a sua relevância local, com uma forte identidade ligada à história, à tradição e à vivência rural .